O povo brasileiro, de Darcy Ribeiro

povo brasileiro

Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro. Companhia das letras, Ed cia de bolso, [1995] 2006, p.108.

É com essas e outras frases contundentes porque cheias de verdade que Darcy Ribeiro descreve as origens, as relações e a complexa formação do povo brasileiro.

Publicado em 1995 pela primeira vez, o livro já ganhou várias reedições, inclusive uma de bolso da Companhia das Letras. Com suas robustas 496 páginas, a obra destrincha em detalhes as matizes da constituição da brasilidade: o índio, o negro, o branco e suas misturas. Não escapa a Darcy Ribeiro as profundas mazelas deixadas pela exploração das pessoas, pela escravidão, pela ganância e pelas riquezas.

Um livro capital para quem quer entender o Brasil e que deveria, por sua abrangência histórica, geográfica, social, econômica, política e etnográfica e por sua acessibilidade ao leitor comum, ser de leitura obrigatória em nossa escolarização básica.

Texto: Emily Caroline da Silva

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Que horas ela volta?

Brasil dividido
De Bruno Carmelo

Em pleno período pós-eleitoral, quando cidadãos e representantes eleitos contestam as regras, as alianças e a estrutura do sistema político brasileiro, chega um filme exemplar para discutir este Brasil dividido: Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. Misturando drama e comédia, o filme consegue confrontar o Nordeste e o Sudeste, os ricos e os pobres, o Brasil segregacionista e a ideia de união nacional.

Que Horas Ela Volta? - FotoRegina Casé interpreta Val, uma empregada doméstica de Recife que mora há mais de uma década em São Paulo, na casa dos patrões. Dentro deste amplo lar de classe média-alta, Val é considerada “quase da família”, tendo criado os filhos dos patrões como se fossem os próprios, mas ela ainda faz as suas refeições em uma mesa separada, dorme no quartinho dos fundos e jamais colocou os pés na grande piscina onde os outros se divertem. A empregada doméstica foi o símbolo escolhido para ilustrar a condescendência de certa elite que “acredita sinceramente ter sido feita para ocupar tal posição”, como diriam os sociólogos Michel Pinçon e Monique Pinçon-Charlot.

Anna Muylaert sempre brincou com as diferenças sociais, dando destaque à classe média. Às vezes, seu humor peculiar e absurdo se sai bem (Durval Discos, É Proibido Fumar), às vezes, força a mão na caricatura (Chamada a Cobrar). Que Horas Ela Volta?, de cunho mais dramático e narrativamente mais convencional que os filmes anteriores, é também a sua melhor obra, a mais doce e comovente, fugindo do maniqueísmo em que o jogo de opostos poderia facilmente desaguar.

O elemento que permite implodir a dinâmica familiar é a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, à casa dos patrões, na intenção de se preparar para o vestibular. Questionadora, ela funciona como um elemento de subversão que ressalta a artificialidade daquela estrutura, que parecia natural tanto à família quanto a Val. Como o visitante de Teorema, a garota de passado misterioso chega para seduzir o pai e o filho, questionar a autoridade da patroa e desestabilizar a própria mãe.

Que Horas Ela Volta? - PosterO equilíbrio na representação é mantido graças ao excelente trabalho do elenco. Regina Casé descontrói seus gestos corporais amplos e ganha uma feição mais simples, lenta, de quem desempenha as mesmas tarefas há décadas. O humor de suas falas é irônico, mas simples, cotidiano, o que leva a sua personagem – e o filme – para o bem-vindo tom de crônica social. Camila Márdila também tem uma atuação excepcional, tateando o terreno dentro da casa desconhecida e sutilmente ganhando espaço, como uma boa estrategista. Karine Teles eLourenço Mutarelli cumprem bem a imagem do casal rico e supostamente descolado, apesar de serem presos às convenções sociais.

Talvez o roteiro insista demais em alguns símbolos (o sorvete, as xícaras de café), mas isso corresponde à vontade de fazer de um único lar um exemplo de milhares de outros lares nas mesmas condições – por isso, pequenos símbolos são obrigados a ganhar uma importância maior do que normalmente teriam. A atitude de Carlos (Mutarelli) em relação a Jéssica também surpreende, mas isso provavelmente se encaixa na cota de pequenos surrealismos que Muylaert gosta de embutir em suas histórias, como uma assinatura pessoal. De qualquer modo, estes fatos não alteram o ritmo agradável da história, que levou a plateia às gargalhadas no festival de Berlim, depois de também cativar o público em Sundance.

É possível imaginar que o público brasileiro também se identificará com este filme. Muitas pessoas poderão enxergar em tela as próprias famílias, ou as famílias de pessoas que conhecem. As comédias de cunho social são raríssimas no cinema brasileiro, principalmente com a qualidade e profundidade de Que Horas Ela Volta?. Resta torcer para que a obra represente aquela faixa de mercado tão necessária e tão ausente na nossa cinematografia: a dos “filmes do meio”, entre as pequenas obras herméticas do circuito de arte e os grandes arrasa-quarteirões da comédia popular.

Filme visto no 65º festival de Berlim, em fevereiro de 2015.

Texto publicado originalmente aqui.

Tropicália

Não saberia dizer ao certo em que época entrei em contato com a Tropicália. Em parte esse conhecimento se deu pelo gosto musical de minha mãe e em parte pelo aprendizado escolar, quando minha doce e baixinha professora de história nos ensinou sobre a ditadura, bem como toda a repercussão cultural da época.

A Tropicália foi um movimento artístico e político dos anos 1967-1968, época de remarcável eferverscência cultural. Seus grandes representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, os Mutantes, Torqueto Neto, Capinan, Nara Leão e Tom Zé, dentre outros.

A riqueza rítmica, melódica, assim como os movimentos políticos, se refletiam na estética e na poética das letras. Expressões antropofágicas, concretistas e surrealistas como olhar colírico, futurível, ruídos pulsativos, ilumencarnados seres, tropicália, geleia geral, eubioticamente atraídos, Batmakumbaiê, panis e circenses, mostravam o valor que a criatividade ocupava ali.

A busca por uma identidade e por uma criação nova e autêntica não se descolou, no entanto, do contexto histórico-político-social. Na Tropicálica encontramos também músicas de manifesto, É proibido proibir, Questão de Ordem e Alegria Alegria, para citar as mais conhecidas.

Na busca de uma brasilidade raiz que refletisse também a miscigenação popular, a Tropicália incorporou as influências musicais que circulavam na época: rock, bossa-nova, baião, samba, MPB, berimbau, guitarra elétrica, percussão etc., sempre transformando-as em algo novo. O diálogo não se deu somente com a arte musical, mas também com as outras linguagens da arte, como por exemplo, com o cinema. Gilberto Gil e Caetano, por exemplo, foram influenciados pelos filmes de Glauber Rocha, como Terra em Transe.

É justamente nessa antropofagia, tanto da cultura erudita, quanto da cultura popular, que se encontra a beleza e a riqueza dessas composições. Para quem escuta hoje os discos do movimento, é possível fazer um exercício de despetalar e tentar descobrir a origem musical dos sons, pausas, instrumentos, ritmos etc..

Tentando aprender um pouco mais sobre esse movimento, encontrei um belíssimo site, recheado de biografias, discos, letras, discursos, manifestos, fotos e vídeos. Vale a pena conferir: http://tropicalia.com.br/

 

Texto: Emily Caroline da Silva

Referências: http://tropicalia.com.br/ e https://www.youtube.com/watch?v=HHM5-PonsKM

Comidas e Culturas

Aqui vai uma sequência de atividade para fazer com os alunos de qualquer língua estrangeira:

Objetivo: Para aprender, revisar ou ampliar o vocabulário sobre comidas, os professores podem usar as imagens do site abaixo.
Nível: Básico/Intermediário
Habilidade priorizada: produção oral
Tempo: pode ser realizada entre 25 e 45 minutos, dependendo da escolha das etapas a serem realizadas.

1. Apresente as imagens de lado e os países do outro. Peça para que observem as merendas escolares e adivinhem de qual país elas vêm.

2. Cada grupo de 2 ou 3 alunos escolhe uma imagem e, em grupo, descreve o prato. Ex: Na China, a merenda escolar tem… . Depois

3. Cada grupo apresenta seu prato para a sala, que deverá classificar se os alimentos do prato em categorias: grãos, vegetais, frutas, bebidas, etc. O professor pode fazer um grande quadro na lousa e depois de cada grupo apresentar, o restante da sala classifica os alimentos.

4. Proponha para os alunos que eles notem as diferenças e semelhanças entre as culturas com o seguinte desafio: fazer isso sem julgar ou depreciar. Importante: para evitar estereótipos, mostre aos alunos como evitar algumas palavrinhas generalizantes : eles comem isso, lá todos comem isso,  ninguém aguenta, é a pior comida, nunca se deve, ao invés disso, eles podem se expressar de maneira particular e modalizada: eu não costumo gostar de, na minha família não comemos, creio que maioria dos brasileiros estranharia, temos o hábito de… etc.  Aprender a se expressar dessa forma é um dos objetivos da atividade.

5. Por fim, cada grupo diz em qual país gostariam de estudar pensando na merenda, é claro.

1. Japan

Japan

Flickr: goldfish_bowl / Via Creative Commons

Fried fish, dried seaweed, tomatoes, miso soup with potatoes, rice in a metal container, served with milk.

2. Austin, Texas

Austin, Texas

Flickr: bookgrl / Via Creative Commons

Turkey taco salad, mashed potatoes, peach cobbler, and iced tea.

3. South Korea

South Korea

Pickled sesame leaves, kimchi, doenjang (a soybean paste) stew served with rice and a side of grapes.

4. Shanghai German School

Shanghai German School

Flickr: msittig / Via Creative Commons

Hot dog, french fries, carrot salad, slice of cake.

5. Israel

Israel

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Martha Payne/Never Seconds

Falafel, pitta chips, yoghurt and cucumber sauce, with green leaves.

6. Finland

Finland

Salad, chicken curry and pudding, string beans and carrots, served with milk.

7. Czech Republic

Czech Republic

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Martha Payne/Never Seconds

Semolina and vegetable soup, beef with garlic, spinach and potato dumplings, an orange.

8. Brazil

Brazil

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Never Seconds/ Martha Payne

Meat in BBQ sauce, rice, green salad, pudding, and a strawberry juice.

9. Ukraine

Ukraine

Soup, bread, sliced hot dog, and pasta.

10. Barcelona, Spain

Barcelona, Spain

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Never Seconds/ Martha Payne

Tomato fusilli, deep fried fish, salad, bread, and an apple.

11. Singapore

Singapore

Meat, rice, crunchy vegetables, and melon.

12. United Kingdom

United Kingdom

Peas, baked potato, cake, and custard. (This is a veggie option).

Update: A commenter adds that the third item might be cauliflower cheese.

13. Chennai, India

Chennai, India

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Never Seconds/ Martha Payne

Lentil soup, snake gourd, rice, curd, and kesari, served with buttermilk.

14. Canadian International School, Bangalore

Canadian International School, Bangalore

neverseconds.blogspot.co.uk / Via Never Seconds/ Martha Payne

Fish nuggets, spring roll, salad, veggie noodles.

15. France

France

Fries and nuggets with broccoli, bread, pasta salad, and a slice of cake.

16. Sweden

Sweden

Potatoes, cabbage, and beans, served with a cracker and lingonberry juice.

If you’re particularly interested in school lunches around the world, read the brilliant blog Never Seconds, which also works with the charity Mary’s Meals to “provide daily meals to chronically hungry children in a place of learning”.

CORRECTION

Thanks to a commenter, the third item on the British lunch plate has been identified as possibly cauliflower cheese. Sept. 16, 2014, at 9:34 a.m.

CORRECTION

An example from the UAE was removed as it was a lunch brought from home, not supplied by the school. Sept. 16, 2014, at 12:03 p.m.

 

Fonte (para citar)

A atividade foi proposta e elaborada por mim =). Já os textos e imagens abaixo foram extraídos do site: http://www.buzzfeed.com/ailbhemalone/school-lunches-around-the-world#1rzv6t8 . Se você for utilizar em sua aula, cite as duas fontes, ok?

O Teatro Mágico

Conhecido pela renovação da cena musical jovem no Brasil, o grupo O Teatro Mágico conquistou, desde 2003, três álbuns de estúdio – Entrada para Raros, O Segundo Ato e A Sociedade do Espetáculo -, formação de plateia, musicalidade própria e a consolidação de uma identidade autoral, reconhecida pelo diálogo com as artes circenses, o teatro, a dança, a literatura, o cancioneiro popular, a política e a poesia.

Extraído do site oficial: http://oteatromagico.mus.br/2014/

Música rica em ritmos e medocias + artistas circenses + letras recheadas de poesia + arte visuais, sonoras, acrobacias = O Teatro Mágico

Pitanga em pé de amora

Quando falamos em produção musical brasileira do agora, pensamos em estilos, discursos e tendências valorizadas pela mídia cultural, que procura determinar aquilo que é contemporâneo e inovador ao público.

Para ser deveras inovador e contemporâneo não é proibido, entretanto, olhar para trás e mergulhar na fonte do que se produziu nos tempos antigos. Sobretudo depois que a internet facilitou o acesso a ela, através de arquivos completos, raros e inéditos, de compositores e obras populares que, até pouco tempo atrás, jamais imaginaria um jovem músico em formação poder conhecer a fundo e fundamentar os alicerces de seu trabalho nesses insumos do passado.

Formado por jovens na faixa dos vinte e poucos anos, o grupo Pitanga em Pé de Amora demostra como é possível fugir desse lugar comum da canção popular atual, através de uma produção colaborativa em que todas as referências musicais aprazíveis ao seus músicos são propostas sem a obrigatoriedade em seguir padrões pré-estabelecidos.

O trabalho coletivo norteia o cancioneiro do grupo, aonde os integrantes, (Angelo Ursini, Daniel Altman e Ga Setúbal, todos eles multi-instrumentistas), se revezam na autoria das composições letradas por Diego Casas, que além de letrista titular, também faz junto com Flora Popovic e Daniel Altman o vocal da maioria das canções.

O caráter colaborativo abrange não só a criação musical, mas também a performance do grupo no palco, evidente no rodízio de instrumentos musicais que se dá ao término de cada música – é um tal de alfaia pra lá, escaleta e caxixi pra cá, baqueta e violão acolá –, sobressaindo a espontaneidade e o improviso de um time centrado em sua vocação: fazer uma música bonita e envolvente de se acompanhar, com letras simples que celebram histórias pitorescas, as melodias e o amor, tal como a temática naïve de um Chico Buarque que falava no alto de seus vinte anos de jovialidade o tempo passado na janela que carolinas e januárias deixavam de ver.

Marchinhas carnavalescas, tangos nazarethianos, baiões e jongos, desprovidos daquele conservadorismo em se manter o estilo tradicional dos ritmos, se misturam de maneira natural com discursos jazzísticos e de vanguarda, tanto na riqueza das canções como nos elaborados arranjos que pontualmente abordam todas essas referências – a exemplo do que Guinga e todos os seus seguidores já provaram ser um caminho viável.

Texto extraído do site oficial: http://www.pitangaempedeamora.com.br/ogrupo.html

Arnaldo Antunes

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, ou simplesmente Arnaldo Antunes (São Paulo, 2 de setembro de 1960) é um músico, poeta, compositor, ex-VJ e artista visual brasileiro.

Algumas músicas menos conhecidas, mas muito interessantes:

A Casa É Sua
Envelhecer
Muito muito pouco – tema cidadania
Sou uma criança, não entendo nada – tema infância e vida adulta
Dizem (quem me dera) – tema cidadania
Azul vazio – poesia, sonoridade

Um blog para aprender sobre língua portuguesa e cultura brasileira