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O homem das multidões (2014)

Baseado em um conto homônimo de Edgar Allan Poe, o filme “O Homem das Multidões” consolida uma parceria entre dois diretores de estilos distintos dentro do cinema brasileiro.

De um lado, está o mineiro Cao Guimarães, com um percurso ligado à videoarte e filmes ensaísticos, como “Acidente” (07), “Andarilho” (07) e “A Alma do Osso” (04). Do outro, o pernambucano Marcelo Gomes, traçando seu caminho sobre filmes calcados na vivência de seus personagens, caso de “Cinema, Aspirinas e Urubus” (05) e “Era Uma Vez Eu, Verônica” (12), sem contar outra parceria, com o cearense Karim Ainouz, no poético “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo” (09).

Os dois estilos se complementam à perfeição em “O Homem das Multidões”, que teve sua première mundial na seção Panorama do Festival de Berlim, iniciando ali a circulação por vários outros festivais, como Guadalajara, Toulouse e Rio (dos quais saiu premiado).

Construindo sua narrativa sobre silêncios e imagens, bem mais do que sobre diálogos, o filme arma um enredo em que a solidão é protagonista, a tônica da vida de dois personagens: o condutor de metrô Juvenal (Paulo André, ator do grupo teatral mineiro Galpão) e sua supervisora, Margô (Sílvia Lourenço, de “Contra Todos”).

Juvenal mora sozinho num pequeno apartamento em Belo Horizonte, num ambiente asséptico como um laboratório: poucos móveis, sem enfeites, uma geladeira quase vazia. Fora do trabalho, ele se debate com a insônia, passando as noites olhando a cidade do alto pela varanda, ouvindo rádio e fazendo faxina.

Nenhum amigo, nenhuma namorada, nem mesmo um computador pessoal. Na maior parte do tempo, ele fala mesmo sozinho. Eventualmente, procura a companhia de uma prostituta.

No trabalho, Margô é praticamente sua única amiga. Embora ela seja aparentemente mais falante e sociável, ambos são solitários, cada um à sua maneira.

As relações de Margô são praticamente todas virtuais, exceto o pai (Jean-Claude Bernardet), com quem ela ainda mora. Até o noivo ela conheceu num chat na Internet. Seus “animais de estimação” são peixes digitais, que ela “alimenta” na tela do computador.

Telas de computador, linhas de metrô e seus trens, ruas, prédios e carros formam o cenário urbano deste filme, que usa uma janela atípica, quadrada ao invés da convencional, alongada, reproduzindo, na descrição do diretor Marcelo Gomes “uma mistura de estéticas do Instagram e de uma polaroide”.

O formato causa uma certa estranheza inicial ao espectador, mas também concentra o foco do olhar no cotidiano miúdo destes poucos personagens. No fim, “O Homem das Multidões” é um filme de sensações, que anseia por criar uma cumplicidade com o público a partir de uma esfera dramatúrgica bem minimalista.

A saber: Margô vai se casar e quer que Juvenal seja o padrinho; ele hesita. Há muito de não-dito neste afeto entre os dois, que se expressa por olhares, por falas aparentemente sem muita força, mas que mantém aceso um compartilhamento de sensações e sentimentos. A tecnologia muda mais do que a natureza humana, é o que o filme parece dizer.

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/cinema/2014-07-30/em-o-homem-das-multidoes-a-solidao-vira-protagonista.html

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Mutum (2007)

O Sertão

MUTUM foi filmado nas chapadas de Minas Gerais, em pleno sertão mineiro, numa região com poucas estradas e muitos lugares ainda sem energia elétrica. Mas o isolamento da família de Thiago é mais econômico que geográfico. O sertão que se apresenta no filme não é meramente uma região geográfica: é também o interior, o passado, a infância que povoa o imaginário brasileiro.

João Guimarães Rosa

MUTUM se inspira na história de Miguilim, da novela “Campo Geral” (Manuelzão e Miguilim), de João Guimarães Rosa (1908 – 1967), considerado o maior escritor brasileiro do século XX, autor de obras-primas como Sagarana e Grande Sertão: Veredas. Inventor de palavras e de uma sintaxe estranha, seu estilo é freqüentemente comparado ao de James Joyce. Grande conhecedor do sertão, Guimarães Rosa se inspira na tradição oral e na língua concreta do sertanejo, onde predominam imagens da natureza. Mas a linguagem particular falada por seus personagens é uma mistura de expressões regionais com aportes de várias outras línguas, formando uma língua imaginária. Com seu poder criativo e imaginação deslumbrante, provocou uma verdadeira revolução na literatura brasileira, inovando na linguagem, nas tramas e na visão de mundo de seus personagens, transformando o sertão num modelo do universo. O sertão de Guimarães Rosa é o mundo…

Guimarães Rosa era membro da Academia Brasileira de Letras e ganhou os mais importantes prêmios literários do país. De alcance universal, sua obra foi traduzida na França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Tchecoslováquia, dentre outros países.

De contornos autobiográficos, a história de Miguilim era a sua preferida: “Em Miguilim, acho tudo o que já escrevi até agora e talvez mesmo tudo o que venha a escrever em minha vida. Nessa história, está o germe, é a semente de tudo”, declarou Guimarães Rosa.

Fonte: http://www.mutumofilme.com.br/sobre.htm

Histórias que só existem quando lembradas (2011)

Histórias que só existem quando lembradas é um filme brasileiro de 2011 dirigido por Júlia Murat.1 2 3 “Histórias” participou de mais de 80 festivais, incluindo Venice Film Festival, Toronto Film Festival, Rotterdam Film Festival, e San Sebastian Film Festival e ganhou 36 prêmios. É o primeiro filme dirigido por Júlia Murat.

Uma pacata cidade só com moradores idosos recebe a visita de uma jovem fotógrafa.

Prêmios

  • Menção no Cine en Construcción em Toulouse
  • Prêmio Cine Cinema no Cine en Construcción em Toulouse
  • Menção especial no Festival de San Sebastian
  • Prêmio da igreja da Islândia no Festival de Reykjavík IFF
  • Melhor filme no Festival de Abu Dhabi
  • Melhor atriz no Festival de Abu Dhabi
  • Prêmio FIPRESCI no festival de Ljubljana, Eslovênia
  • Prêmio de público no festival de Warsaw, Polônia
  • Prêmio de público no Festival de Santa Maria da feira
  • Melhor filme do júri cineclubista Festival de Santa Maria da feira
  • Melhor atriz no Festival de Santa Maria da feira
  • Prêmio Nueva Vision de filmes latinos no festival Santa Bárbara IFF
  • Prêmio de público no IFFR Groningen
  • Prêmio ecumênico no Festival de Cartagena
  • Melhor filme Festival de Sofia
  • Talent Tape Award Friburg
  • Prêmio Ecumênico Friburg
  • Melhor filme júri cineclubista Friburg
  • Melhor filme Júri Jovem Friburg
  • Prêmio da associação CCAS, Festival de Toulouse
  • Prêmio Ceux du Rail d’Oc, Festival de Toulouse
  • Melhor Filme festival de RiverRun
  • Peter Brunette Award para melhor diretor, Festival de RiverRun
  • Melhor Fotografia, Festival de RiverRun
  • Menção especial para Sônia Guedes, Festival de RiverRun
  • Menção Especial no Festival Latino LAFF, Holanda
  • Melhor filme, prêmio do público, no Festival do Cinema Brasileiro de Paris, 2012
  • Melhor roteiro, Festival du Cinéma d’Auteur de Rabat, Marrocos, 2012
  • Melhor filme pelo júri, Festival de Lima, 2012
  • Premio APC – Asociación Peruana de Comunicadores “Monseñor Luciano Metzinger”- festival de Lima
  • Melhor filme (prêmio de público) no festival Latinamerika i Fokus, Suécia
  • Prêmio Especial do Juri no festival de Ourense
  • Melhor fotografia no festival de Ourense
  • Melhor filme no Festival Regards sur le cinéma du monde
  • Prêmio do público no Festival Regards sur le cinéma du monde
  • Melhor filme, juri estudante, no Festival Regards sur le cinéma du monde