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Forró

Não saberia dizer ao certo se o forró é um ritmo, um gênero musical, uma dança, um lugar ou fenômeno cultural. Talvez seja tudo isso ao mesmo tempo. Originário da região nordeste do país, o forró teve como pai Luiz Gonzaga, rei do Baião. Nascido em 1912, era apaixonado por música, mas foi em 1939 que decidiu deixar o exército no Rio e se dedicar à música, o que se tornou uma empreitada de grande sucesso: Gonzagão compôs mais de mil canções e inspirou as gerações seguintes a continuar a criá-las.

Ao longo da história, o Brasil teve sua evolução musical em suas diferentes regiões (Recife com o frevo, Rio com o samba e a bossa nova etc.). Da mesma forma, o forró ganhou força no nordeste, sendo levado pelos migrantes nordestinos que se deslocavam em massa para o sudeste em virtude das secas do sertão.

Foi nos anos 90 que as bandas universitárias de forró fizeram o ritmo ressurgir e ganhar força no Sudeste, especialmente em São Paulo. Hoje, casas de forró tem apresentado trios que tocam o tradicional forró pé-de-serra (em especial sua composição em trio, com sanfona/acordeon, triângulo e zabumba) e enchido seus salões com os fãs que vêm para aprender a dançar e para praticar. E foi assim que o ritmo ficou mais popular no sudeste que no nordeste (o nordeste, aliás, reinventou a variante eletrônica do gênero com a inserção da guitarra).

Conheça aqui os diferentes ritmos do forró tradicional:

Uma das coisas que mais me atrai no forró, é que com ele podemos aprender muito da história e da cultura brasileira: uma mistura de instrumentos melódicos e rítmicos, assim como nossas misturas étnicas europeia, indígena e negra; uma história de sobrevivência e deslocamento, como a do nosso povo; ritmo que sofreu preconceito, mas que tem sido resgatado e valorizado por sua riqueza beleza inata, assim como nosso povo nordestino; letras que falam da seca, da dor, mas também da paixão, da alegria, da colheita e da natureza, cotiano da nossa gente; palavras, objetos e expressões locais, que mostram a diversidade e a especificidade de cada região desse nosso país; grupos musicais com uma formação simples, que possam tocar em qualquer lugar, pra que a gente sofrida possa se alegrar e se divertir dançando.

O blog forroemvinil.com presta um serviço de utilidade pública difundindo essa nossa extensa produção musical! Se quiser conhecer os álbuns de Luiz Gonzaga na íntegra ou de outros compositores, vale a pena conferir!

 

Texto: Emily Caroline da Silva

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Tropicália

Não saberia dizer ao certo em que época entrei em contato com a Tropicália. Em parte esse conhecimento se deu pelo gosto musical de minha mãe e em parte pelo aprendizado escolar, quando minha doce e baixinha professora de história nos ensinou sobre a ditadura, bem como toda a repercussão cultural da época.

A Tropicália foi um movimento artístico e político dos anos 1967-1968, época de remarcável eferverscência cultural. Seus grandes representantes foram Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, os Mutantes, Torqueto Neto, Capinan, Nara Leão e Tom Zé, dentre outros.

A riqueza rítmica, melódica, assim como os movimentos políticos, se refletiam na estética e na poética das letras. Expressões antropofágicas, concretistas e surrealistas como olhar colírico, futurível, ruídos pulsativos, ilumencarnados seres, tropicália, geleia geral, eubioticamente atraídos, Batmakumbaiê, panis e circenses, mostravam o valor que a criatividade ocupava ali.

A busca por uma identidade e por uma criação nova e autêntica não se descolou, no entanto, do contexto histórico-político-social. Na Tropicálica encontramos também músicas de manifesto, É proibido proibir, Questão de Ordem e Alegria Alegria, para citar as mais conhecidas.

Na busca de uma brasilidade raiz que refletisse também a miscigenação popular, a Tropicália incorporou as influências musicais que circulavam na época: rock, bossa-nova, baião, samba, MPB, berimbau, guitarra elétrica, percussão etc., sempre transformando-as em algo novo. O diálogo não se deu somente com a arte musical, mas também com as outras linguagens da arte, como por exemplo, com o cinema. Gilberto Gil e Caetano, por exemplo, foram influenciados pelos filmes de Glauber Rocha, como Terra em Transe.

É justamente nessa antropofagia, tanto da cultura erudita, quanto da cultura popular, que se encontra a beleza e a riqueza dessas composições. Para quem escuta hoje os discos do movimento, é possível fazer um exercício de despetalar e tentar descobrir a origem musical dos sons, pausas, instrumentos, ritmos etc..

Tentando aprender um pouco mais sobre esse movimento, encontrei um belíssimo site, recheado de biografias, discos, letras, discursos, manifestos, fotos e vídeos. Vale a pena conferir: http://tropicalia.com.br/

 

Texto: Emily Caroline da Silva

Referências: http://tropicalia.com.br/ e https://www.youtube.com/watch?v=HHM5-PonsKM

O Teatro Mágico

Conhecido pela renovação da cena musical jovem no Brasil, o grupo O Teatro Mágico conquistou, desde 2003, três álbuns de estúdio – Entrada para Raros, O Segundo Ato e A Sociedade do Espetáculo -, formação de plateia, musicalidade própria e a consolidação de uma identidade autoral, reconhecida pelo diálogo com as artes circenses, o teatro, a dança, a literatura, o cancioneiro popular, a política e a poesia.

Extraído do site oficial: http://oteatromagico.mus.br/2014/

Música rica em ritmos e medocias + artistas circenses + letras recheadas de poesia + arte visuais, sonoras, acrobacias = O Teatro Mágico

Pitanga em pé de amora

Quando falamos em produção musical brasileira do agora, pensamos em estilos, discursos e tendências valorizadas pela mídia cultural, que procura determinar aquilo que é contemporâneo e inovador ao público.

Para ser deveras inovador e contemporâneo não é proibido, entretanto, olhar para trás e mergulhar na fonte do que se produziu nos tempos antigos. Sobretudo depois que a internet facilitou o acesso a ela, através de arquivos completos, raros e inéditos, de compositores e obras populares que, até pouco tempo atrás, jamais imaginaria um jovem músico em formação poder conhecer a fundo e fundamentar os alicerces de seu trabalho nesses insumos do passado.

Formado por jovens na faixa dos vinte e poucos anos, o grupo Pitanga em Pé de Amora demostra como é possível fugir desse lugar comum da canção popular atual, através de uma produção colaborativa em que todas as referências musicais aprazíveis ao seus músicos são propostas sem a obrigatoriedade em seguir padrões pré-estabelecidos.

O trabalho coletivo norteia o cancioneiro do grupo, aonde os integrantes, (Angelo Ursini, Daniel Altman e Ga Setúbal, todos eles multi-instrumentistas), se revezam na autoria das composições letradas por Diego Casas, que além de letrista titular, também faz junto com Flora Popovic e Daniel Altman o vocal da maioria das canções.

O caráter colaborativo abrange não só a criação musical, mas também a performance do grupo no palco, evidente no rodízio de instrumentos musicais que se dá ao término de cada música – é um tal de alfaia pra lá, escaleta e caxixi pra cá, baqueta e violão acolá –, sobressaindo a espontaneidade e o improviso de um time centrado em sua vocação: fazer uma música bonita e envolvente de se acompanhar, com letras simples que celebram histórias pitorescas, as melodias e o amor, tal como a temática naïve de um Chico Buarque que falava no alto de seus vinte anos de jovialidade o tempo passado na janela que carolinas e januárias deixavam de ver.

Marchinhas carnavalescas, tangos nazarethianos, baiões e jongos, desprovidos daquele conservadorismo em se manter o estilo tradicional dos ritmos, se misturam de maneira natural com discursos jazzísticos e de vanguarda, tanto na riqueza das canções como nos elaborados arranjos que pontualmente abordam todas essas referências – a exemplo do que Guinga e todos os seus seguidores já provaram ser um caminho viável.

Texto extraído do site oficial: http://www.pitangaempedeamora.com.br/ogrupo.html

Arnaldo Antunes

Arnaldo Augusto Nora Antunes Filho, ou simplesmente Arnaldo Antunes (São Paulo, 2 de setembro de 1960) é um músico, poeta, compositor, ex-VJ e artista visual brasileiro.

Algumas músicas menos conhecidas, mas muito interessantes:

A Casa É Sua
Envelhecer
Muito muito pouco – tema cidadania
Sou uma criança, não entendo nada – tema infância e vida adulta
Dizem (quem me dera) – tema cidadania
Azul vazio – poesia, sonoridade