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Que horas ela volta?

Brasil dividido
De Bruno Carmelo

Em pleno período pós-eleitoral, quando cidadãos e representantes eleitos contestam as regras, as alianças e a estrutura do sistema político brasileiro, chega um filme exemplar para discutir este Brasil dividido: Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. Misturando drama e comédia, o filme consegue confrontar o Nordeste e o Sudeste, os ricos e os pobres, o Brasil segregacionista e a ideia de união nacional.

Que Horas Ela Volta? - FotoRegina Casé interpreta Val, uma empregada doméstica de Recife que mora há mais de uma década em São Paulo, na casa dos patrões. Dentro deste amplo lar de classe média-alta, Val é considerada “quase da família”, tendo criado os filhos dos patrões como se fossem os próprios, mas ela ainda faz as suas refeições em uma mesa separada, dorme no quartinho dos fundos e jamais colocou os pés na grande piscina onde os outros se divertem. A empregada doméstica foi o símbolo escolhido para ilustrar a condescendência de certa elite que “acredita sinceramente ter sido feita para ocupar tal posição”, como diriam os sociólogos Michel Pinçon e Monique Pinçon-Charlot.

Anna Muylaert sempre brincou com as diferenças sociais, dando destaque à classe média. Às vezes, seu humor peculiar e absurdo se sai bem (Durval Discos, É Proibido Fumar), às vezes, força a mão na caricatura (Chamada a Cobrar). Que Horas Ela Volta?, de cunho mais dramático e narrativamente mais convencional que os filmes anteriores, é também a sua melhor obra, a mais doce e comovente, fugindo do maniqueísmo em que o jogo de opostos poderia facilmente desaguar.

O elemento que permite implodir a dinâmica familiar é a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, à casa dos patrões, na intenção de se preparar para o vestibular. Questionadora, ela funciona como um elemento de subversão que ressalta a artificialidade daquela estrutura, que parecia natural tanto à família quanto a Val. Como o visitante de Teorema, a garota de passado misterioso chega para seduzir o pai e o filho, questionar a autoridade da patroa e desestabilizar a própria mãe.

Que Horas Ela Volta? - PosterO equilíbrio na representação é mantido graças ao excelente trabalho do elenco. Regina Casé descontrói seus gestos corporais amplos e ganha uma feição mais simples, lenta, de quem desempenha as mesmas tarefas há décadas. O humor de suas falas é irônico, mas simples, cotidiano, o que leva a sua personagem – e o filme – para o bem-vindo tom de crônica social. Camila Márdila também tem uma atuação excepcional, tateando o terreno dentro da casa desconhecida e sutilmente ganhando espaço, como uma boa estrategista. Karine Teles eLourenço Mutarelli cumprem bem a imagem do casal rico e supostamente descolado, apesar de serem presos às convenções sociais.

Talvez o roteiro insista demais em alguns símbolos (o sorvete, as xícaras de café), mas isso corresponde à vontade de fazer de um único lar um exemplo de milhares de outros lares nas mesmas condições – por isso, pequenos símbolos são obrigados a ganhar uma importância maior do que normalmente teriam. A atitude de Carlos (Mutarelli) em relação a Jéssica também surpreende, mas isso provavelmente se encaixa na cota de pequenos surrealismos que Muylaert gosta de embutir em suas histórias, como uma assinatura pessoal. De qualquer modo, estes fatos não alteram o ritmo agradável da história, que levou a plateia às gargalhadas no festival de Berlim, depois de também cativar o público em Sundance.

É possível imaginar que o público brasileiro também se identificará com este filme. Muitas pessoas poderão enxergar em tela as próprias famílias, ou as famílias de pessoas que conhecem. As comédias de cunho social são raríssimas no cinema brasileiro, principalmente com a qualidade e profundidade de Que Horas Ela Volta?. Resta torcer para que a obra represente aquela faixa de mercado tão necessária e tão ausente na nossa cinematografia: a dos “filmes do meio”, entre as pequenas obras herméticas do circuito de arte e os grandes arrasa-quarteirões da comédia popular.

Filme visto no 65º festival de Berlim, em fevereiro de 2015.

Texto publicado originalmente aqui.

Tarja Branca – A Revolução Que Faltava

 

Direção: Cacau Rhoden

Elenco: Domingos Montagner, Wandi Doratiotto, Antônio Nóbrega

A partir dos depoimentos de adultos de gerações, origens e profissões diferentes, o documentário discorre sobre a pluralidade do ato de brincar, e como o homem pode se relacionar com a criança que mora dentro dele. Por meio de reflexões, o filme mostra as diferentes formas de como a brincadeira, ação tão primordial à natureza humana, pode estar interligada com o comportamento do homem contemporâneo e seu “espírito lúdico”.

Documentário  |   Livre  |   80 min  |   Brasil

 

A Engrenagem

O vído de 16 minutos é inspirado na série de filmes da norte-americana Annie Leonard, que começou com “A História das Coisas” (Story of Stuff).

Produzido pelo Instituto Nina Rosa, mostra os processos que estão por trás da indústria de carnes e defende que mudar o padrão alimentar da sociedade está nas mãos dos consumidores.

O desmatamento da Amazônia e outros biomas para originar pastos, o consumo de água e grãos usados na produção de carne, o poder da indústria agropecuária e a saúde dos consumidores são alguns dos temas abordados.

“É mito dizer que esses animais são criados pra alimentar a população do planeta”, explica o vídeo, já que metade dos grãos e hortaliças que são usados para alimentar os animais seria o suficiente para acabar com a fome no mundo. “Pode parecer uma conta simplista e ingênua, mas ela é real. (…) Na verdade, essa engrenagem não deixa acabar com a fome”.

Para não assustar os consumidores, o que acontece dentro de um frigorífico é fechado a sete chaves. “E isso é interessante para a indústria. Quanto menos você percebe, mais você consome(…) A gente está falando de uma linha de produção. Os animais, sozinhos, nunca se reproduziriam nessa escala. Esses modelos foram baseados nos modelos das fábricas e só se tornaram viáveis depois que surgiram as vitaminas, os antibióticos e as vacinas para reduzir as doenças provocadas por essas condições de vida”.

Um exemplo citado no filme é a produção de gado leiteiro. “Os bezerros machos de raças leiteiras não têm valor comercial. Então, a maioria é vendida ao salsicheiro ou criado para a produção de vitela. Nessa engrenagem, o lucro está acima de qualquer compaixão. As vacas recebemhormônios de crescimento, hormônios para sincronizar o cio, para produzir muito mais leite do que o normal. Suas tetas ficam enormes e inflamadas. Aí, precisam tomar antibióticos. E todas essas substâncias podem passar para nós, através do leite e seus derivados”.

O filme tem 16 minutos.

Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/ideias-verdes/veja-tres-filmes-brasileiros-sobre-alimentacao-disponiveis-na-internet/

 

Meu amigo Nietzsche (2013)

Curta-metragem brasileiro é premiado no Festival de Clermont-Ferrand, na França

“Meu amigo Nietzsche”, de Fáuston da Silva, conquistou os prêmios do público e de melhor comédia do evento

Preview

Cena de “Meu Amigo Nietzsche”, de Fáuston da Silva

O Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, um dos mais tradicionais festivais dedicados ao cinema de curta-metragem no mundo, divulgou os filmes premiados em sua 36ª edição. O curta “Meu amigo Nietzsche”, de Fáuston da Silva, foi escolhido pelo público como o melhor curta-metragem do evento e conquistou também o reconhecimento dos jurados com o Prêmio “Fernand Raynaud” de melhor comédia.

O filme de Fáuston conta a história de um improvável encontro entre o garoto Lucas e a obra do filósofo Friedrich Nietzsche na periferia de Brasília e a revolução provocada em sua mente e na vida de sua família e amigos. A ANCINE, por meio do Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais e de Projetos de Obras Audiovisuais Brasileiras em Laboratórios e Workshops Internacionais da ANCINE, concedeu auxílio financeiro para viabilizar sua participação no festival. O programa contempla projetos audiovisuais participantes de 27 laboratórios ou workshops internacionais e filmes oficialmente convidados a participar de 80 festivais ao redor do mundo.

O Grande Prêmio do festival ficou com o curta “Pride”, de Pavel Vesnakov, coprodução entre a Alemanha e a Bulgária. Clique aqui para conferir a lista completa de premiados no 36º Festival Internacional de Clermont-Ferrand, e assista ao trailer de “Meu Amigo Nietzsche” aqui.

Fonte: http://www.ancine.gov.br/sala-imprensa/noticias/curta-metragem-brasileiro-premiado-no-festival-de-clermont-ferrand-na-fran

Muito além do peso (2012)

Muito Além Do Peso (Way Beyond Weight)
2012 ● Brasil ● color ● digital ● 84 min.
Documentário ● Livre
Direção: Estela Renner
Fotografia: Renata Ursaia
Montagem: Jordana Berg
Música: Jukebox
Produtor: Marcos Nisti, Juliana Borges
Produção: Maria Farinha Filmes
Site oficial: http://www.muitoalemdopeso.com.br/
Trailer oficial: http://vimeo.com/52478353#at=0

Colaboração especial de Bárbara Hatzlhoffer Lourenço, nutricionista, doutoranda da Faculdade de Saúde Pública da USP

O documentário “Muito além do peso” (Brasil, 2012), dirigido por Estela Renner e apoiado pelo Instituto Alana, foi exibido em três sessões da 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e entra em cartaz em novembro. Ao apontar que, devido à epidemia de obesidade infantil, pela primeira vez na história crianças apresentam sintomas de doenças de adultos, como problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2, seus idealizadores propõem elucidar o papel e o envolvimento do governo, dos pais, das escolas e da publicidade na temática.

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Paraísos Artificiais (2012)

Paraísos Artificiais é um filme de drama brasileiro dirigido por Marcos Prado e produzido por José Padilha. O elenco é estrelado por Nathalia Dill, Luca Bianchi e Lívia de Bueno

Érika (Nathalia Dill) é uma DJ de sucesso e amiga de Lara (Lívia de Bueno). Durante um festival onde Érika estava trabalhando, elas conheceram Nando (Luca Bianchi) e, juntos, vivem um momento intenso. No entanto, logo depois o trio se separara. Anos depois Érika e Nando se reencontram em Amsterdã, onde se apaixonam. Mas apenas Érika se lembra do verdadeiro motivo por que se afastou logo depois de se conhecerem, anos antes.

Tatuagem (2013)

Tatuagem é um filme brasileiro de 2013, do gênero drama, dirigido por Hilton Lacerda.1 Suas gravações foram feitas emOlinda, Recife e Cabo de Santo Agostinho

No Brasil da década de 1978 um grupo de artistas provoca a moral e os bons costumes pregado pela ditadura militar, ainda atuante mas demonstrando sinais de esgotamento. Num teatro/cabaré localizado entre duas cidades do Nordeste do Brasil aconteciam os espetáculos da trupe, conhecida como Chão de Estrelas. Dirigida e liderada por Clécio Wanderley (Irandhir Santos), além de outros artistas e intelectuais e seu diversificado público, a trupe apresenta os seus espetáculos de resistência politica com muito deboche, anarquia e subversão.

É neste cenário que Clécio conhece Fininha, o soldado Arlindo Araújo (Jesuita Barbosa). Um garoto de 18 anos que muda a vida de Clécio. É neste encontro de mundos, o militar com a ditadura, rigidez e atrocidades, e o mundo do cabaré e da arte do Chão de Estrelas, com sua subversão, alegria e homossexualidade, é no choque entre o encontro de Clécio e Fininha que cria uma marca que nos lança no futuro, como uma tatuagem.3